O mito das relações que terminam bem

Todo encerramento é um baque. Quer dizer: ninguém começa uma relação esperando que um dia ela vá terminar. Ninguém planta uma rosa projetando o dia em que ela irá murchar.

Agora, me surpreendem as narrativas da aceitação, as narrativas da celebração do que foi e a resiliência sobre não ser mais.

Ora, nenhum empreendimento termina sem frustração. O término pode ser um alívio; a despedida pode por fim ao sofrimento; mas o olhar sobre o passado consegue ser tão desprendido assim?

Conseguiremos lembrar de nossos mortos sem saudade? Falar de nossos ex sem resquícios de ressentimentos?

Quando o distanciamento será legítimo para um discurso totalmente desinteressado? Uma interpretação madura dos fatos, que reconhece suas benesses e superou suas perdas?

Nada garante que as pétalas que murcharam no meu coração apodrecem da mesma cor que as suas. Regar uma rosa seca na gaveta não a traz de volta ao jardim.

Quando ainda há tempo, para reavivar uma flor se deve tratar todas as pragas que a enfraquecem, adubar a terra, dar-lhe a atenção que faltou.

Agora, transformá-la em um belíssimo arranjo post mortem é um ato vaidade, e não de amor.

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