Nós garotas

girlshbo

Girls” nos mostra todas. Ok, definitivamente não todas, mas mostra por inteiro.

É isso que me chamou a atenção desde que conheci o seriado da HBO. A complexidade das personagens ultrapassa e muito a mesmice da estória de adolescentes surtadas de classe média, envoltas em consumo, disputa com a mãe, intrigas com colegas de escola e brigas tontas com irmãos mais novos, tão exploradas pelas comédias mainstream. Bom, os surtos das garotas de Girls são muito mais próximos da realidade. Entra o sexo, sem fetiche e com muito desejo. O mercado  de trabalho precarizado, os sonhos, as dúvidas e as expectativas familiares. Alguma violência, as drogas, e outros temas.

As quatro amigas estão nesse momento delicado da vida, rompendo a placenta e aprendendo a desejar o mundo. No começo me pareceu até estranho, aquelas garotas crescidas com algumas crises minhas de adolescente. Mas no fim, são as questões que encaram que me encantaram, por sua humanidade e franqueza, além do joie de vivre que só se experimenta entre amigas, nesse contexto meio irresponsável que é o processo de se encontrar. Constituir-se adulta, exercer (e afirmar para o mundo) sua sexualidade, até onde a própria ousadia permitir.

Alguns episódios, confesso, me irritaram no início. É que reviver as angústias tão aprisionantes dessa fase não é  fácil, assim de fora, vendo-se em outro tempo. Aos poucos, a empatia por cada uma dessas meninas aumenta. Percebendo a evolução de suas histórias – e sua personalidade desenvolvendo junto-, aprendemos a perdoar. Com suas estranhezas, com suas fraquezas.

E passamos a torcer por elas. Rir de si é uma delícia, uma necessidade, mas a gente perde o hábito. E lembrar que a gente mesma já foi ainda mais desajeitada e sem rumo do que é hoje, então, é impagável.

p.s.: os elogios e tanto amor foi inspirado pela primeira temporada. a segunda, que está rolando agora, infelizmente ainda não emplacou…

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