Women in the Mirror, do fotógrafo Richard Avedon

Richard Avedon foi um grande nome da fotografia internacional, especializado em retrato e moda. Passeando por um belíssimo livro que reúne fotografias suas tiradas entre 1945 e 2004, ano de sua morte, encontrei várias imagens que me tocaram. Woman in the Mirror traz retratos de mulheres de muitas profissões, anônimas e celebridades, jovens e mais velhas, ao longo dos últimos 50 anos do século passado. Guardei alguns na memória – certamente dos famosos, porque o livro é uma riqueza só e eu pude apenas dar uma olhada breve.

Destaques para o ana suromai da modelo Stephanie Saymour, poderoso e impactante, bem como o brilhante registro de um olhar perdido da Marilyn Monroe. Compartilho com vocês:

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Os nus de Émilie Charmy

Conheci o trabalho de Émilie Charmy em um curso muito interessante sobre arte e gênero, que estou fazendo lá no Instituto de Estudos Brasileiros da USP. Ministrado pela professora Ana Paula Simioni,  a aula traz uma abordagem crítica da história da arte, a partir da discussão proposta por autoras feministas. Mais do que um projeto de retomar mulheres artistas, a ideia é propor um novo olhar para as instituições que envolvem a arte, buscando entender os lugares nela ocupados por mulheres e homens.

Émilie Charmy foi uma pintora francesa que viveu de 1878 a 1974, tendo uma forte aproximação com o movimento fauvista do início do século XX. Nesse momento, certos temas – como o nu feminino e a prostituição – começavam a ser mais factíveis para a arte produzida por mulheres que, mesmo  na vanguarda, enfrentavam o peso das expectativas sociais do gênero em sua produção. Embora a militância artística ainda fosse uma escolha ousada para elas, são perceptíveis as marcas diferenciais da experiência do gênero na obra de umas e outros.

O que me encantou na obra de Émilie, que conheci em uma aula da professora Ana Paula,  foram os olhos e a expressão de suas personagens. Especialmente, a complexidade da relação que parecem estabelecer com seus próprios corpos. Com um erotismo presente, mas distante da exacerbação que usualmente traz o olhar voyeur masculino tão recorrente nas pinturas do período, Émilie Charmy apresenta uma delicadeza viva, inteira, exuberante. E, ao mesmo tempo, autorreferenciada. A sugestão das formas, mais que a precisão do desenho, contribui para a noção subjetiva do corpo, mais próxima das personagens retratadas do que de nós. Deleitem-se:

Ps: Tive bastante dificuldade em encontrar as obras, e mais ainda seus respectivos nomes e datas. Quem puder contribuir com informações, será muito bem vindx!