O que acontece quando você é feminista na internet

Na semana passada, um dos maiores blogs feministas do Brasil, o Escreva Lola Escreva, foi atacado por grupos masculinistas (sério, eles existem) e quase saiu do ar. E depois de uma conversa com outra blogueira maravilinda, resolvi compartilhar um pouco do que acontece quando você resolve ser feminista na rede, a partir da minha experiência com este blog e a página Falou Machão.

 

  1. Haters gonna hate

O termo hater (algo como “odiador”) é tão preciso como assustador. Da mesma forma que grupos ativistas de direitos humanos estão na internet, também estão aqueles que acham que feminismo é mimimi. Pior que isso, estão os citados masculinistas, grupos ativamente contra os direitos das mulheres. Além de compartilharem conteúdo defendendo estupros, pedofilia e todo tipo de violência, eles também se organizam para derrubar blogs e páginas que começam a se destacar. Eles fazem comentários odiosos, costumam usar termos como “meter a real” e criam muito – mas muito – conteúdo fake pra deslegitimar o movimento. Tem uma página do Facebook que eu sinceramente acho que se enquadra nesse naipe, a Feminismo real. Vejam e me digam o que acham, eu sinceramente duvido que haja um grupo feminista por trás dela, porque todos os argumentos são distorcidos e chegam a conclusões bizarras, além de não ter nenhuma referência a um lugar ou pessoas reais. Parece algo feito para reforçar estereótipos, preconceito e ódio. Então lidar com esse tipo de coisa pode se tornar diário. Aqui no blog eu só não aceito comentários de ódio, pronto; mas em casos como o da Lola, o assédio se torna caso de polícia (ameaças de morte, ligações na casa dela, vazamento de dados etc).

 

  1. Seus amigos ficam meio assim

Rola uma rotulagem complicada no seu círculo social. As pessoas ficam receosas de falar algo e você taxá-las de machista; algumas mandam indiretas toscas e várias delas querem te provar que você está exagerando. É o lance do “toda ação tem uma reação”, e no geral as pessoas se esforçam muito por acreditar que tudo no mundo anda bem. O lado positivo é que está aberto o debate e na verdade essas pessoas se interessaram pelo que você levantou; estão só esperando o que você tem a dizer. E se for pura picuinha, aos poucos você aprende o que vale a pena uma discussão e o que não vale. Mas ver alguns velhos amigos começando a abrir os olhos, por outro lado, é maravilhoso.

 

  1. Seus argumentos ficam melhores

Já que você tem que lidar com as críticas no mundo virtual e também no mundo real, você acaba ganhando mais habilidade nisso. Aos poucos, vai vendo que algumas críticas têm razão e contribuem para o que você cria. E vai entendendo melhor também o outro lado, entendendo como cada argumento se constrói e o melhor – como desconstruí-lo com muito mais facilidade, expondo os discursos de ódio em três, dois, um.

 

  1. Você ganha responsabilidades

Junto com os críticos, também aparecem as pessoas que curtem o que você escreve, acompanham suas criações e esperam sempre mais. São pessoas maravilhosas, que te ajudam a crescer e ser uma pessoa melhor. E elas estarão lá esperando – sua opinião, sua contribuição com o debate – e muitas vezes sua ajuda real. É muito comum mulheres em situação de violência ou precisando de qualquer outro apoio só encontrarem na internet alguém para compartilhar o que estão passando. Então, saber como lidar e como ajudar de verdade também é uma questão importante; nós acompanhamos histórias reais de pessoas reais com problemas reais. Para ajudar, só os contatinhos: órgãos governamentais e não governamentais de defesa dos direitos das mulheres, grupos de acolhida e militantes, advogadas, médicas, políticas feministas; além dos conhecimentos básicos sobre legislação – como o das maravilhosas Promotoras Legais Populares, podem ajudar. E aí você vai descobrindo uma maravilhosa rede de apoio. <3

 

  1. Você fica mais forte

A melhor parte de ser feminista na rede é que você descobre que não está sozinha nem louca. Você se informa melhor, encontra pessoas incríveis que te ajudam a crescer e a ser mais forte. Você descobre que falar sobre Feminismo é preciso para decidirmos o que fazer a respeito do machismo, seja coletivamente ou logo aí onde você está agora.

 

 

Leia também:

 

Escreva Lola Escreva, Eles não amam as mulheres, Violência não é sobre amor: dissecando a carta do assassino de Campinas.

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A perfeição é uma farsa

Amal Alamuddin é uma advogada poderosa. Fala três idiomas, é conselheira do ex-secretário-geral da ONU e estava acompanhando o marido, uma das maiores estrelas de Hollywood. Em Cannes, encantadoramente vestida, NÃO CONSEGUIU SUBIR A P____ DE UMA ESCADA.

Amal Alamuddin é uma advogada poderosa. Fala três idiomas, é conselheira do ex-secretário-geral da ONU e estava acompanhando o marido, uma das maiores estrelas de Hollywood, em Cannes. Encantadoramente vestida, não conseguiu subir uma escada sozinha.

Ser perfeita nunca foi uma ideia que me agradou muito. Talvez porque eu nunca tenha sido muito “boa” nisso, ou provavelmente porque a contraparte obrigatória dessa ideia é um fracasso escandaloso. Mesmo quando você acerta.
Explico: nós mulheres somos confrontadas com ideais etéreos, e a nós são atribuídas tarefas hercúleas de auto-transmutação constante.
É como se a perfeição estivesse sempre a um passo mais, um investimento maior, uma dedicação um pouco mais disciplinada. Porque simplesmente “ser” não é permitido.
E então vamos nós, seguindo planos mirabolantes de dietas, cronogramas de estética rigorosos e regras precisas de comportamento nos relacionamentos. Fazendo jogos, planejando movimentos e posturas. Para não sermos arrogantes, para não sermos mal interpretadas, para podermos sair ao sol no verão. E mesmo assim, falhamos.
Porque sempre tem um doce que nos chama, ou porque o salto quebra. Porque fica batom no dente. Porque o alisamento não se mantém na umidade. O salto agulha não dá firmeza na passada. A roupa é tão justa que pode rasgar a qualquer momento. Porque sua calcinha não pode jamais aparecer, e pior ainda se ela for do tamanho errado. E os seus peitos, eles sempre serão do tamanho errado.
Essa expectativa difusa nos acompanha das entrevistas de emprego à nossa cama. Subimos em saltos de tortura, maquiamos a identidade na nossa pele, forjamos comportamentos que não expressam nossas emoções. Buscamos encontrar o espaço muito tênue entre a submissa e a louca, a mal-comida e a biscate, a monstra fitness e a largada. Será que existe mesmo esse lugar de ~normalidade~ em que seríamos deixadas em paz?
Não, esse lugar não existe. Porque vivemos em um sistema que alimenta nossas inseguranças. Adquirimos soluções para problemas inventados, e eles estarão sempre a mais uma compra de distância. O emprego dos sonhos está um curso mais perto. O corpo ideal é questão de  uma cirurgia mais. A nossa paz interior, em uma pílula cada manhã.
Por outro lado, vivemos relações que, muitas vezes, pressupõem essa insegurança. Seu chefe vai aceitar você ser mais competente do que ele? Tudo bem para seu marido dividir as tarefas, ou pior, receber menos que você?
Lembremo-nos que o defeito não somos nós. O defeito é construído. Qual performance poderia ser tão bem executada a ponto de perfeita? Nenhuma. Qual truque temos que fazer para que o mundo nos deixe, simplesmente, ser? Aquele de olhar para si mesma e dizer: eu sou a melhor versão de mim mesma. E isso me torna o máximo.
Chega de cumprir, frustradas, papéis toscamente interpretados de perfeição. Chega de ser apenas um rascunho de nós mesmas. Você não é uma farsa, você é carne, osso, pele e espírito. Não deixe ninguém passar por cima disso.

Sangue Bom: livre para menstruar

Pare de odiar sua menstruação e dê o próximo passo da sua liberdade

Continuando o assunto dos últimos posts, vamos ver como podemos viver nossa menstruação com mais tranquilidade.

3. Repense o anticoncepcional

A pílula (e todos os contraceptivos hormonais, como anel, implante e adesivo) suspende seu ciclo de variação hormonal natural e introduz hormônios artificiais em doses estáveis ao longo do mês, melhorando alguns sintomas percebidos no ciclo natural. Mas, se a manutenção de um nível estável de hormônios artificiais acaba com os “vales” do nosso ciclo, também impede os “picos”. Ou seja: ficam inibidos os momentos de “fragilidade”, mas também aqueles de “poder” e autoconfiança promovidos pelas variações naturais do nosso corpo.

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E os benefícios da pílula para os sintomas do período pré-menstrual e menstrual muitas vezes nem são tão vantajosos assim. Se diminui as cólicas, muitas mulheres relatam uma instabilidade emocional maior com a pílula, e até mesmo depressão. Se reduz as espinhas, a baixa na testosterona dificulta o fortalecimento muscular e dá menos vigor físico – a famosa fadiga. Sei que é difícil encara essa possibilidade, mas tomar esse remédio diariamente pode estar, na verdade, prejudicando o seu bem-estar.

(Falando nisso: você já tentou parar com a pílula?)

Talvez optar pela camisinha, o diafragma ou o DIU de cobre como contraceptivo não seja tão ruim assim. E descobrir novas formas de encarar as cólicas, a irritabilidade, as espinhas e outros sintomas do ciclo é uma tarefa desafiadora, mas não impossível. O que nos leva ao próximo ponto.

4. Observe-se, conheça-se, respeite-se

Como já falei antes aqui, a medicina tradicional e a indústria farmacêutica são baseadas numa separação muito clara entre os detentores do conhecimento sobre o corpo e as donas desses corpos – ou seja, nós. Isso faz com que seja difícil nos sentirmos seguras sobre nossos próprios ciclos e nossa saúde, porque sempre tem alguém que sabe mais para interferir nas nossas decisões. E decidir por nós, dentro de um cenário totalmente paternalista da relação médico-paciente. Para reverter isso, não tem jeito: é preciso se informar e se observar, desconstruindo a ideia de que somos “maquininhas com defeito”.

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Para as mulheres que nunca tomaram pílula ou começaram apenas na idade adulta, foi possível aprender a perceber que as flutuações hormonais ao longo do ciclo impactam e muito a nossa percepção do mundo. Para quem começou desde cedo com ela, e não teve oportunidade de se adaptar ao próprio ciclo, pode ser estranho pensar em aproveitar as características de cada fase. Mas pode ter certeza: fazer isso ao invés de repreender seu corpo pode ser extremamente vantajoso.

Por exemplo: nos momentos de maior introspecção, como pode ser o período menstrual, podemos tentar nos preservar de possíveis conflitos, evitando embates e discussões. Por outro lado, muitas mulheres sentem a autoconfiança lá em cima perto da ovulação – e ficam mais seguras de si, cheias de energia para encarar disputas e tarefas mais desafiadoras. Pode parecer papo de horóscopo, e veja só: não estou dizendo que somos limitadas aos nossos hormônios. Mas, assim como os alimentos que comemos, o ambiente em que vivemos e os relacionamentos em que estamos fazem diferença sobre o nosso bem-estar, também acontece com as variações hormonais naturais pelas quais passamos. Caminhar pela manhã quando ainda está fresco é muito mais fácil do que ao meio-dia; consertar o telhado fica mais simples quando não está chovendo.

Observar-se e identificar seu estado físico e emocional é o primeiro passo para avaliar o quanto você vai se permitir envolver/desgastar em cada questão. Cada mulher tem seu próprio padrão de variações, então só você vai poder descobrir como usar cada fase do seu ciclo para maximizar seu bem-estar – e respeitar seu corpo.

5. Junte azamiga

Para facilitar todo esse processo de autoconhecimento – e empoderamento, nada melhor do que boa companhia. Em um mundo onde é proibido menstruar (ou ter orgulho disso), trocar informações, experiências e apoio é realmente transformador.

Quantas vezes não usamos o tabu a nosso favor? Justamente por ser um segredo, é nesse espaço de privacidade que encontramos empatia uma com as outras. Emprestar um absorvente ou uma roupa, indicar um chazinho ou um remédio para cólicas. Lembrar sua amiga num dia difícil que ela só está “de TPM”, menos tolerante com as dificuldades do mundo e isso é completamente normal, pode ajudar a acalmar as coisas. Às vezes, precisamos de um colo, ou um pouco de descanso do mundo. Perceber esse momento e encontrar uma brechinha para si mesma em sua própria vida pode ser uma verdadeira revolução.

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Leia também:

Mitos e Fatos Sobre a Menstruação, O Lado Oculto da Lua; A Mulher no Corpo – Uma análise cultural da reprodução, de Emily Martin; Women beware, Dr. Joseph Mercola; Tudo sobre a doença que pode ser causada pelo absorvente interno, M de Mulher; Choque Tóxico: Por Que Esta Mulher Está Processando um Fabricante de Absorvente Interno Depois de Perder a Perna, Vice; Tira Dúvidas: Coletores Menstruais, Blogueiras Feministas; Mulheres que Correm com os Lobos, Clarissa Pinkola Estes; Sweetening The Pill, 2013; The Pill: Are you sure it’s for you?

Sangue Bom: a revolução menstrual

Pare de rejeitar sua menstruação e dê o próximo passo da sua liberdade

No último post, falei sobre as diversas maneiras pelas quais nossa sociedade rejeita a menstruação. Seja no trabalho, nas rodas de amigos, na publicidade ou nos milhares de produtos e medicamentos feitos para “remediar” o “problema”, parece que só temos coisas ruins para falar desse acontecimento mensal na vida das mulheres.

Mas afinal, menstruamos e temos que lidar com isso. Diante desse cenário, como viver melhor a sua menstruação? Aqui vão algumas dicas.

  1. Aceite

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 Chega de nojinho. Menstruar é um acontecimento que todas as pessoas nascidas mulheres compartilham, salvo raras exceções. Ela não é suja, não é errada e faz parte da sua saúde – já que o fato de ela não vir geralmente é o que indica uma alteração. Em diversas sociedades tradicionais, é, inclusive, considerada um acontecimento sagrado e símbolo da força de criação feminina. E muitas mulheres a consideram o primeiro passo para a vida adulta, com uma carga simbólica muito poderosa. Ouça mais o seu íntimo, e menos o consenso social sobre a menstruação. Afinal, quem ganha com a ideia de que algo natural do seu corpo é sujo, falho, repugnante?

  1. Largue os absorventes

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Uma das principais causas da rejeição à menstruação está ligada ao péssimo desempenho dos absorventes descartáveis em nos ajudar nesse período. Além de caros, estes produtos “anti-odor” são desconfortáveis e muitas vezes cheiram mal quando usados, porque permitem que o sangue menstrual entre em contato com o oxigênio.

Eles abafam a região genital, dando uma sensação de calor e umidade, além de promoverem o ambiente perfeito para a proliferação de micro-organismos. Isso pode alterar o pH vaginal, propiciando o surgimento de infecções – e com elas, mais mau cheiro, corrimentos etc.  Sem falar no risco da terrível síndrome do choque tóxico.

Para perceber a diferença de menstruar sem usar absorventes descartáveis, você pode começar deixando a calcinha sujar um pouco (sem neura!) ou não usar nada (saia, shortinho largo) quando o fluxo estiver menor num dia de descanso, ou durante a noite. Vamos lá: uma eventual mancha sai com água morna; e esta pode ser uma maneira simples de ver como os absorventes são, de fato, muito desconfortáveis – e não a menstruação em si.

Para os dias de maior fluxo, opte pelos absorventes de pano ou pelo queridinho coletor. Aliás, o famoso copinho mereceria um blog só para ele, já que é um dos principais instrumentos para a autodescoberta das mulheres nos últimos tempos. Ele é ecologicamente correto, confortável, pode ser usado por até 12h seguidas, não causa reações alérgicas e o melhor: permite que você tenha um contato transformador com sua menstruação, tendo familiaridade com sua textura, quantidade e cheiro (não é fedida!!!).

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Ah, e muitas mulheres (incluindo eu) notam uma diminuição dos dias do fluxo e das cólicas com o coletor. A explicação ˜conspiratória~ seria pelo abandono dos absorventes descartáveis – que possuem em sua composição elementos tóxicos acusados de interferir no ciclo e nos fazer sangrar por mais dias. Mas o fato de o copinho fazer um vácuo que “suga” a menstruação já parece suficiente para abreviar a duração do fluxo.

[ Continue lendo ]

Sangue bom: o tabu da menstruação

Pare de rejeitar sua menstruação e dê o próximo passo da sua liberdade

A menstruação é um grande tabu contemporâneo. Relegada a reclamações sobre cólicas, disfarçada em pedidos constrangidos de absorventes emprestados e considerada um mero sinal da não-gravidez, sobre a menstruação temos uma realidade:

Só pode falar se for para falar mal

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É só observarmos as palavras associadas a ela: todas muito degradantes e que fazem um panorama do imaginário social a respeito.

[Regras]       [Monstra]       [Chico]       [Visita]       [Incômodo]       [Aqueles dias]       [Cheiro de peixe]       [Dita cuja]

Quem nunca ouviu um “ew” ao falar sobre isso no colégio, ou se sentiu constrangida ao precisar pedir um absorvente emprestado?

Outro exemplo é a obsessão da indústria farmacêutica – e, por consequência, dos médicos formados na sua sombra – por patologizar o ciclo menstrual. Um dos mais alardeados ~benefícios~ dos anticoncepcionais hormonais é, justamente, o controle/a diminuição do fluxo menstrual, e até mesmo sua suspensão. Uma doença que pode ser remediada. Um fardo para o qual existem infinitos produtos específicos “anti-odor”, para você estar “sempre protegida”, “sempre seca”, etc.

Aliás, não se iluda: o sangramento da pausa do anticoncepcional não é menstruação. Ele se chama de sangramento de privação, e mantê-lo foi uma escolha deliberada da indústria para dar uma sensação de naturalidade ao uso do medicamento.

O que essa realidade ignora é que a menstruação é, de fato, um dos principais sinais de saúde do corpo feminino. E os problemas relacionados a ela são, na verdade, sinais de que o corpo está em desequilíbrio – importantíssimos na hora de avaliarmos nossa relação com o mundo: saúde, relacionamentos, trabalho, e até conosco mesmas. Com a supressão desses sintomas, já não identificamos os desequilíbrios – e os mascaramos.

De fato, pode ser muito difícil ter que lidar com os sintomas do período pré-menstrual e menstrual, ainda mais porque não temos o menor incentivo para isso. Além da má fama social, no trabalho e na escola/faculdade a menstruação também não é tratada com naturalidade. Intervalos e espaços de descompressão são raridade; saídas recorrentes para o banheiro são mal vistas; e nós mesmas nos cobramos por não estar 100% empenhadas nas questões exteriores.

Tudo isso porque, no sistema capitalista, exige-se das pessoas estarem sempre produtivas, como máquinas; e no caso das mulheres, também belas e disponíveis.

Por isso mesmo, a TPM e a menstruação acabam vistas como um período de descontrole; ou ainda uma “frescura”, uma “desculpa” para trabalhar menos. Uma “fraqueza” tipicamente feminina.

O fato é que menstruamos e temos que lidar com isso. Diante desse cenário, como viver melhor a sua menstruação? É possível se libertar de verdade desse “fardo”?

 

[continue lendo]

 

É preciso falar

 

Na rede, nos blogs, nas ruas. Mas também no tête-à-tête, na hora que acontece e com quem acontece.

Uma vez, eu estava esperando um ônibus para casa, já passava das 8 da noite, quando ouvi um homem gritando muito. Ele dizia insultos horríveis, como: você é burra, você faz tudo errado, eu só passo vergonha com você. Fui me aproximando, preocupada, com medo, com revolta. Era um homem alto, grande, gritando com uma mulher que carregava várias sacolas – todas as coisas dela. Eu fui chegando perto, não sei com que coragem, meio atordoada pela situação. Ele, percebendo minha aproximação, esbravejava que ela deveria ir embora logo com ele. A mulher permanecia imóvel.

Aterrorizada, mas firme, consegui balbuciar para a mulher: “Você não precisa ir. Não vai, não”. O homem, furioso, aumentou as ameaças mas não veio para cima de mim. Dizia que estava passando vergonha na rua por causa dela. Que iria reclamar com a mãe dela, e que ela ficasse esperta também com sua menina, porque isso não iria passar em branco. Ela se mantinha atônita, não se movia. Até que, como por um milagre, ele desistiu. Ela disse que não ia. Eu fiquei. Ele foi embora.

Devo ter dado sorte. Devo ter o santo forte, ou a lua estava na posição certa naquele momento. O que eu sei é que falei, e me mantive ali, ao lado dela. E isso foi importante para Elaine, com quem fiquei por mais uma hora depois, e que soluçava, grata, porque conseguiu enxergar em mim uma aliada, e teve coragem para não ir mais para casa com ele.

Na noite anterior, ela tinha sonhado com uma mulher em sua cama. E achava que era eu. Naquela noite, ela encontrou em mim a coragem que procurava em si mesma.

Ficar ao lado dela foi uma das experiências mais malucas que já passei. Eu poderia ter sido agredida. Ela poderia ter sido agredida. Talvez ela rejeitasse minha ajuda. E ele poderia voltar a qualquer momento. Mas não aconteceu assim.

Falar, sempre que pudermos, é importante. Em público, nas redes, nas ruas. Mas no dia a dia também. Na hora em que um homem interrompe a fala de nossa colega, na hora que vemos uma desconhecida ser assediada no metrô. A violência nos cerca, mas precisamos lembrar que não estamos sozinhas. E manter-nos ao lado de nós mesmas.

Se você não viu:

O machismo disfarçado naquela piadinha do Whatsapp

Redação do Enem 2015 ‘plantou uma semente’, diz Maria da Penha

Em campanha no Twitter, mulheres relatam primeiros casos de assédio que sofreram

Você já tentou parar com a pílula? – parte 2

Pode parecer surreal, mas estamos viciadas numa droga: a pílula anticoncepcional

Continuação desse texto. 

Mas, se a pílula não é o melhor contraceptivo, porque esse consumo obsessivo?

Já faz um bom tempo que a indústria farmacêutica sabe que o fator contraceptivo não é o grande diferencial da pílula. Isso porque, como vimos no último post, são diversos os métodos contraceptivos existentes – e a eficácia deles é muito similar. Para o seu próprio bem, a indústria escolheu focar nos chamados efeitos secundários da pílula para transformá-la em um medicamento de uso “obrigatório” para a mulher moderna.

A pílula anticoncepcional passou, então, a fazer parte dos chamados “medicamentos de bem-estar” (Lifestyle Drugs), drogas voltadas a questões que não ameaçam a vida ou trazem dor, mas que apresentam efeitos “desejáveis” ao usuário – e são legalmente prescritas e vendidas. Como qualquer outro produto, a chave do sucesso destes medicamentos é despertar a necessidade deles.

Provocar a sensação de ausência ou de deficiência do corpo, portanto, é fundamental para o mercado dessas drogas.

No caso da pílula, patologizam-se os efeitos das variações hormonais naturais do ciclo menstrual. Ou seja: a pílula é o remédio que vai corrigir o irregular, doente e incompleto corpo da mulher. Ser mulher é um pesadelo que precisa de tratamento.

As indicações da pílula vão, portanto, muito além da contracepção. Ela é a solução do problema de ser mulher: inchaço, acne, variações de humor, cólicas, a terrível síndrome dos ovários policísticos*, e mesmo a menstruação, são os sintomas a ser combatidos.

Claro que os sintomas são reais e impactam a vida de boa parte das mulheres. Mas, ao amenizar esses sintomas, a pílula não está tratando os problemas em sua origem: ela os mascara. A suspensão do ciclo hormonal natural causada por esse medicamento realmente melhora os sintomas dos desequilíbrios hormonais, mas não trata a causa dos problemas – tanto que eles reaparecem, com mais força, quanto paramos de tomar pílula. E isso pode ter consequências graves – para mulheres com SOP, por exemplo, significa uma enorme barreira para a gravidez. Para as outras, a dependência de um medicamento que traz riscos à saúde.

A introdução dos hormônios sintéticos bloqueia a função ovariana e impede a ovulação. Com isso, suspendem-se os sintomas mas também as funções dos hormônios naturais, que vão muito além da fertilidade em si.

Estima-se que a pílula intervém em mais de 100 funções do corpo feminino.

Entre os riscos mais famosos da pílula, estão os cardiovasculares, que incluem trombose, embolia pulmonar, AVC e ataque cardíaco; além do câncer de mama, de fígado, cervical, entre outros. Mas também existem outros efeitos colaterais, menos falados, que permeiam as discussões entre amigas e os consultórios médicos, e estão presentes na vida de quem toma pílula – e muitas vezes nem suspeita dela.

O uso da pílula antes dos 20 anos dobra o risco de câncer de mama.

Depressão, baixa ou nenhuma libido, dor de cabeça, tontura, alterações de humor, náusea, dor nas mamas, fadiga, dificuldade em desenvolver músculos. Deficiências nutricionais. A lista de impactos é enorme e a resposta dos nossos médicos costuma ser a mesma: troque a pílula. Mas, como falamos, a fórmula dos contraceptivos hormonais tem a mesma base**, e a origem dos problemas está justamente nos hormônios sintéticos, que são usados também no anel vaginal, no DIU hormonal, no adesivo e na injeção.

As mulheres que usam contracepção hormonal têm 2x mais depressão.

Um dos principais motivos para o abandono da contracepção hormonal é seu impacto sobre a saúde emocional – discussão que incide sobre a nossa autoconfiança, e por vezes passa como frescura para os que estão à nossa volta. Começando com 14 ou 15 anos, será que aos 25 ou 30 podemos imaginar como seríamos sem a pílula?

A questão é: não precisamos ser dependentes da pílula! Já passou da hora de parar de tomar esse remédio como se fosse água.

Não sou médica e minha intenção aqui é alertar para esse consumo impensado, a ideia da pílula-para-todos-os-problemas. Nenhum medicamento serve para todas, e nossa fertilidade não é uma doença. Há várias maneiras de lidar com os picos e vales dos hormônios com mais naturalidade, aceitação e protagonismo. É preciso conhecer outros métodos contraceptivos e terapias alternativas, aprender a ouvir nosso corpo e entendê-lo, afastando a ideia de ele está em descontrole. Essa pode ser uma experiência transformadora… Mas isso é assunto para outros posts!

 

P.S.: O objetivo desse texto é informar e questionar, nunca julgar a livre escolha de contracepção. Todo mundo tem direito de escolher o método contraceptivo (e de tratamento) que preferir.

 

Para saber mais:

1 How the Pill Became a Lifestyle Drug. American Journal of Public Health, 2015 2 Sweetening The Pill, 2013 3 The Pill Problem, 2013 4 Manual de Orientação Anticoncepção FEBRASGO, 2010 4 Planejamento familiar: um manual global para profissionais e serviços de saúde 5 The Pill: Are you sure it’s for you?, 2008

Para decidir de verdade: Take Back Birth Control

Começou essa semana uma campanha muito bacana do Telegraph Wonder Woman, o portal de jornalismo feminino do jornal britânico The Telegraph. “Take Back Birth Control” – algo como “Tome de Volta a Contracepção” – é uma campanha para levantar o debate sobre contracepção, em um cenário em que a pílula se tornou o método mais aceito, recomendado e prescrito na Grã Bretanha.

A campanha procura questionar o quanto a decisão pela pílula é realmente consciente e segura no país.

Entre os 15 métodos contraceptivos disponíveis, 3,5 milhões de mulheres britânicas hoje tomam pílula, muitas vezes sem serem apresentadas aos outros métodos ou passar por triagem médica aprofundada. Além disso, aparecem os componentes emocionais dessa escolha, que envolvem a falta de tempo dos médicos em considerar as questões apresentadas pelas pacientes, a negociação com o parceiro e o modo com que as reclamações sobre a pílula são recebidas pela sociedade.

Em uma pesquisa promovida pelo portal, mais de um terço (35%) das usuárias concordaram que “se espera que as mulheres tolerem os efeitos colaterais da contracepção hormonal”.

Mais de um quarto (27%) diz não saber o que a contracepção hormonal faz ao seu corpo, e o mesmo percentual (27%) afirmou se sentir preocupada e apreensiva com isso. Números importantes demais para serem ignorados.

Entre os efeitos colaterais emocionais relatados estão depressão, mudanças bruscas de humor, irritação, fadiga e baixa libido.

Todos esses encarados com desconfiança pela classe médica e pela indústria farmacêutica, devido à escassez de estudos a respeito. Estudos, geralmente, bancados pelos fabricantes do medicamento! Os efeitos físicos, como ganho de peso e trombose, também entram no pacote.

Clique aqui para conhecer a campanha. Você pode participar usando a hashtag #TakeBackBirthControl e compartilhando conhecimento!     Referências One year in: Building an online women’s section ‘from scratch’ at the Telegraph Telegraph Wonder Women launches Take Back Birth Control campaign

Body literacy: quem conhece o corpo da mulher?

Com tantas consultas, exames e intervenções ginecológicas, o corpo continua sendo um mistério para nós mesmas. E a Medicina tem tudo a ver com isso.

Desde muito cedo, somos convocadas a ver um ginecologista para cuidar de nossas lady parts. O pacote de procedimentos de rotina é extenso, gerando responsabilidades e custos. A impressão é que estamos “sob controle”. Entretanto, a qualquer atraso menstrual, inchaço estranho ou corrimento desconhecido, bate o desespero. Será que todo o tempo e disposição que dedicamos aos consultórios ginecológicos realmente nos fazem sentir mais seguras sobre nossa saúde? Minha aposta: não.

Explico: você sabia que ovula apenas um dia por ciclo, e portanto, são apenas cerca de três dias em que pode  realmente engravidar?

Que as variações hormonais ao longo do ciclo podem te deixar mais aberta a novas experiências, mais criativa, ou mais introspectiva?

Ou que, quando toma anticoncepcional, você não tem período fértil?

Ou que o clitóris é muito mais que um pontinho, com ramificações em volta da vagina e na direção das coxas?

Pois é, amigas.

Com tantas consultas, exames e medicamentos, a gente ainda não conhece o nosso corpo

E permanece a sensação de que precisamos manter esse monstrinho bem controlado. E dá-lhe pílula, exame de toque, papanicolau, mamografia. Qualquer mal-estar, “é gravidez!”; desconforto com os médicos, “é frescura!”; não querer a pílula, “é loucura!”; e, vai ficar nervosa? “É TPM!”.

A ideia de descontrole do corpo feminino – e o consenso social sobre isso – tem origem milenar

Desde os primórdios da medicina ocidental, na Grécia Antiga, Hipócrates teorizou sobre o “útero errante*” – órgão que ficaria perambulando pelo corpo feminino e geraria intensos distúrbios.

Isso deu origem ao conceito de Histeria, uma doença de mulheres incontrolavelmente descontentes – que tinha como sintomas o desejo sexual intenso, ou a ausência dele, o “nervosismo”, “uma tendência a causar problemas”, entre vários outros. Especialmente durante o século XIX, em que as bases da Medicina moderna se consolidaram, esse era o grande diagnóstico das mulheres. Como tratamento, desde a hipnose, às curiosas massagens genitais (sério), até a histerectomia (remoção cirúrgica do útero).

“A mulher é mulher em virtude da falta de certas qualidades” – Aristóteles

Com o avançar dos anos, a Histeria deixou de ser considerada doença, mas permanaceu o approach médico digamos, histérico, ao corpo da mulher. Em seu livro Inventando o Sexo, o historiador e sexólogo Thomas Laqueur faz um recorrido pela evolução da Medicina e sua compreensão dos dois sexos, mostrando como o corpo masculino foi tomado como a regra, enquanto o feminino foi analisado em comparação – o famoso segundo sexo. Ou seja, com o corpo masculino como modelo principal, as especificidades do corpo feminino tornam-se excessos, ausências – e assim elas são compreendidas e descritas.

Emily Martin aponta, em suas pesquisas, a negatividade na descrição científica dos processos biológicos femininos. Palavras como perda, queda, falha, instabilidade e ausência são extensamente utilizadas nos livros didáticos, nos manuais médicos. O corpo da mulher é tido como inerentemente falho.

Por exemplo: a fixação pela gravidez. Temos a ideia de que todo mês o corpo se prepara para gerar um filho.  Por que tomamos essa perspectiva se, na verdade, na imensa maioria do tempo de vida de uma mulher, ela passa por todas as fases de seu ciclo sem engravidar? Ou seja, se o que absolutamente todas as mulheres saudáveis compartilham é a menstruação e as variações do ciclo, por que permanecemos enfocando a gravidez como evento principal? E compreendendo a menstruação como desperdício, falha? Nem toda mulher é mãe. Mas toda mulher saudável naturalmente menstrua.

Toda essa história cultural nos levou a compreender o corpo da mulher como inerentemente deficiente

A “ausência” mensal da gravidez (menstruação), o “distúrbio” das variações hormonais (TPM), a “falência” dos hormônios reprodutivos (menopausa), etc. Tudo isso nos leva de volta aos consultórios médicos.

Exame de toque, mamário e papanicolau; pilula anticoncepcional para todos os males – “regular” o ciclo, “controlar” a TPM, os ovários policísticos, a acne, e finalmente, a fertilidade. São incontáveis as intervenções médicas em nosso corpo.

Enquanto a OMS indica, por exemplo, o invasivo e por vezes doloroso papanicolau apenas a partir dos 25 anos, a maior parte dos médicos o realiza como rotina. E a grande gama de efeitos colaterais da pílula não é discutida na prescrição desse método contraceptivo às pacientes. O parto normal, então, é evitado fortemente, ou realizado com intervenções desnecessárias e violentas. E a terrível mamografia vem sendo muito questionada, pela possibilidade de fazer mais mal do que bem às mulheres.

Mas, nos consultórios, nada disso parece assunto nosso

Só quem já foi a médicos diferentes com os mesmos resultados de exames sabe o quanto as decisões e percepções deles interferem no prognóstico – deixando nossas vozes e vontades, muitas vezes, silenciadas. Obviamente, a Medicina é uma ciência em progresso; não quero com esses apontamentos parecer ingrata pelos cuidados médicos. O que preocupa é o distanciamento de nós mesmas com relação à nossa saúde – recorrentemente, parece que não temos escolha. Para evitar isso é que precisamos de mais leituras, mais debates, mais autoconhecimento. E de médicos mais preparados.

Nosso corpo não está em descontrole, ele tem um equilíbrio que precisamos conhecer

Aprendendo nossos ciclos, sabemos identificar melhor as alterações nele. Podemos saber quando realmente corremos o risco da gravidez. Podemos escolher o método contraceptivo mais adequado a nossas necessidades. Podemos entender melhor como a pílula e a cesariana nos afetam. Conhecendo os remédios e procedimentos, podemos decidir mais conscientemente sobre os tratamentos, interagir de maneira mais saudável com os profissionais de saúde, e viver melhor com nosso corpo.

Para saber mais:

Laura Wershler, Body Literacy

Fique Amiga Dela, Histórias do Corpo: Ciclos e Ritmos

Holly Grigg-Spall, Sweetening the Pill.

Clitóris: O Prazer Proibido (VÍDEO)

Emily Martin, A Mulher no Corpo.

Thomas Laqueur, Making Sex.

Histeria (FILME)

Fox News, Mammograms do not reduce breast cancer deaths, study finds

Simone de Beauvoir, O Segundo Sexo.

*Tradução livre para wandering womb.

A Casa de Lua está fazendo aniversário

casa de luaOrganização feita de mulheres para mulheres celebra seu primeiro ano de feminices

 
Para um olhar pouco atento, pode parecer boba a ideia de “assuntos de mulher”. Isso porque a cultura mainstream convencionou tratar-nos como mentes infantis, cujas preocupações giram em torno do universo masculino ou de cuidados. Mas a Casa de Lua, perto do metrô Vila Madalena, é um excelente exemplo de que a mulherada tem muito conteúdo – e boa parte dele só diz respeito a nós.
Quando falam de mulher, a publicidade e a imprensa tendem a pintar um quadro muito chato. Como se a nós interessasse apenas consumir e ser boas mães, namoradas, esposas. Basta passar o olho numa banca de revistas ou assistir os anúncios da TV; ou mesmo observar as cenas de uma novela típica. É, na verdade, bastante incentivo para agir feito satélites da vida alheia. Mas – como eu e você bem sabemos – nós mulheres somos muito mais que isso. E é aqui que entra a proposta da Casa de Lua.
A Casa de Lua é um espaço para “coisas de mulher”  – seja trabalho, maternidade, saúde, política, arte, lazer. Tudo com o coração aberto e sem preconceito. A princípio um escritório de coworking, em que habita “uma lógica de trabalho que respeita as diferenças, ciclos e ritmos femininos”, a casa abriga encontros para debater temas de interesse de mulheres de todas as idades, bem como cursos, ateliê de arte, editora e eventos.
São poucos os lugares, na verdade, que são receptivos aos temas tão diversos que compõem o universo feminino. Por exemplo, eu fui num debate sobre parto humanizado; na Copa teve comidinhas e telão; essa semana começou um curso de revisão de texto; na semana que vem tem um curso de crochê; e em agosto o lançamento de um livro sobre a prática do swing.
Na fantástica Casa de Lua, ser mulher é tudo isso: ser inteira, compartilhar experiências típicas do nosso gênero, do nosso sexo. Que ela comemore ainda muitos e muitos anos, em fases cada vez mais prósperas, com mais e mais mulheres cheias de orgulho de viver as várias face da experiência da feminilidade.

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Casa de Lua

Rua Engenheiro Francisco Azevedo, 216

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