Você já tentou parar com a pílula? – parte 2

Pode parecer surreal, mas estamos viciadas numa droga: a pílula anticoncepcional

Continuação desse texto. 

Mas, se a pílula não é o melhor contraceptivo, porque esse consumo obsessivo?

Já faz um bom tempo que a indústria farmacêutica sabe que o fator contraceptivo não é o grande diferencial da pílula. Isso porque, como vimos no último post, são diversos os métodos contraceptivos existentes – e a eficácia deles é muito similar. Para o seu próprio bem, a indústria escolheu focar nos chamados efeitos secundários da pílula para transformá-la em um medicamento de uso “obrigatório” para a mulher moderna.

A pílula anticoncepcional passou, então, a fazer parte dos chamados “medicamentos de bem-estar” (Lifestyle Drugs), drogas voltadas a questões que não ameaçam a vida ou trazem dor, mas que apresentam efeitos “desejáveis” ao usuário – e são legalmente prescritas e vendidas. Como qualquer outro produto, a chave do sucesso destes medicamentos é despertar a necessidade deles.

Provocar a sensação de ausência ou de deficiência do corpo, portanto, é fundamental para o mercado dessas drogas.

No caso da pílula, patologizam-se os efeitos das variações hormonais naturais do ciclo menstrual. Ou seja: a pílula é o remédio que vai corrigir o irregular, doente e incompleto corpo da mulher. Ser mulher é um pesadelo que precisa de tratamento.

As indicações da pílula vão, portanto, muito além da contracepção. Ela é a solução do problema de ser mulher: inchaço, acne, variações de humor, cólicas, a terrível síndrome dos ovários policísticos*, e mesmo a menstruação, são os sintomas a ser combatidos.

Claro que os sintomas são reais e impactam a vida de boa parte das mulheres. Mas, ao amenizar esses sintomas, a pílula não está tratando os problemas em sua origem: ela os mascara. A suspensão do ciclo hormonal natural causada por esse medicamento realmente melhora os sintomas dos desequilíbrios hormonais, mas não trata a causa dos problemas – tanto que eles reaparecem, com mais força, quanto paramos de tomar pílula. E isso pode ter consequências graves – para mulheres com SOP, por exemplo, significa uma enorme barreira para a gravidez. Para as outras, a dependência de um medicamento que traz riscos à saúde.

A introdução dos hormônios sintéticos bloqueia a função ovariana e impede a ovulação. Com isso, suspendem-se os sintomas mas também as funções dos hormônios naturais, que vão muito além da fertilidade em si.

Estima-se que a pílula intervém em mais de 100 funções do corpo feminino.

Entre os riscos mais famosos da pílula, estão os cardiovasculares, que incluem trombose, embolia pulmonar, AVC e ataque cardíaco; além do câncer de mama, de fígado, cervical, entre outros. Mas também existem outros efeitos colaterais, menos falados, que permeiam as discussões entre amigas e os consultórios médicos, e estão presentes na vida de quem toma pílula – e muitas vezes nem suspeita dela.

O uso da pílula antes dos 20 anos dobra o risco de câncer de mama.

Depressão, baixa ou nenhuma libido, dor de cabeça, tontura, alterações de humor, náusea, dor nas mamas, fadiga, dificuldade em desenvolver músculos. Deficiências nutricionais. A lista de impactos é enorme e a resposta dos nossos médicos costuma ser a mesma: troque a pílula. Mas, como falamos, a fórmula dos contraceptivos hormonais tem a mesma base**, e a origem dos problemas está justamente nos hormônios sintéticos, que são usados também no anel vaginal, no DIU hormonal, no adesivo e na injeção.

As mulheres que usam contracepção hormonal têm 2x mais depressão.

Um dos principais motivos para o abandono da contracepção hormonal é seu impacto sobre a saúde emocional – discussão que incide sobre a nossa autoconfiança, e por vezes passa como frescura para os que estão à nossa volta. Começando com 14 ou 15 anos, será que aos 25 ou 30 podemos imaginar como seríamos sem a pílula?

A questão é: não precisamos ser dependentes da pílula! Já passou da hora de parar de tomar esse remédio como se fosse água.

Não sou médica e minha intenção aqui é alertar para esse consumo impensado, a ideia da pílula-para-todos-os-problemas. Nenhum medicamento serve para todas, e nossa fertilidade não é uma doença. Há várias maneiras de lidar com os picos e vales dos hormônios com mais naturalidade, aceitação e protagonismo. É preciso conhecer outros métodos contraceptivos e terapias alternativas, aprender a ouvir nosso corpo e entendê-lo, afastando a ideia de ele está em descontrole. Essa pode ser uma experiência transformadora… Mas isso é assunto para outros posts!

 

P.S.: O objetivo desse texto é informar e questionar, nunca julgar a livre escolha de contracepção. Todo mundo tem direito de escolher o método contraceptivo (e de tratamento) que preferir.

 

Para saber mais:

1 How the Pill Became a Lifestyle Drug. American Journal of Public Health, 2015 2 Sweetening The Pill, 2013 3 The Pill Problem, 2013 4 Manual de Orientação Anticoncepção FEBRASGO, 2010 4 Planejamento familiar: um manual global para profissionais e serviços de saúde 5 The Pill: Are you sure it’s for you?, 2008

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Você já tentou parar com a pílula? – parte 1

Pode parecer surreal, mas estamos viciadas numa droga: a pílula anticoncepcional

Os médicos torcem o nariz, as amigas entram em choque e os familiares – esses nem podem ficar sabendo. A decisão de abandonar a pílula é considerada uma ideia absurda, um desleixo, mesmo quando motivada por efeitos colaterais incômodos, riscos à saúde e a procura de um método contraceptivo menos invasivo. A postura dos parceiros também costuma ser um entrave – com a recusa da camisinha ou de métodos que exigem sua participação. Além da pressão social, ainda aparecem os efeitos da abstinência – que são muito pouco difundidos – e, no fim das contas, muitas mulheres desistem. Mas se você for conversar com aquela sua tia ou amiga mais natureba, vai descobrir que ela nunca tomou nem quis tomar esse medicamento. E não saiu tendo filho a torto e a direito, nem arriscando a saúde sem saber. Por que, afinal, estamos viciadas na pílula?

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É, de fato, um fenômeno geracional. Enquanto a mulher da chamada “geração pílula” conheceu esse método apenas no início de sua vida conjugal, hoje a pílula já é prescrita de maneira preventiva, desde a primeira consulta ao ginecologista. Enquanto as escolarizadas dispõem de mais opções, quase 80% das mulheres de menor nível educacional já começam tomando pílula. Ela corresponde ao principal método contraceptivo temporário utilizado atualmente no Brasil, com um índice de 38% de uso entre as mulheres que se previnem – mais do que todos os outros métodos temporários somados (32%). Para ter uma ideia, só 18% das brasileiras usam camisinha!

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A indústria farmacêutica é a principal interessada nesse quase-monopólio. A pílula é o produto farmacêutico perfeito: um remédio feito para ser tomado diariamente, sem a necessidade de doença, durante boa parte da vida de uma parcela enorme da população. No Brasil, o número é de quase 27 milhões de potenciais consumidoras – um mercado impressionante. Para ver como a indústria está confortável com a sua situação: a fórmula básica da pílula nunca mudou – ela foi introduzida nos anos 60. Mesmo as demais tecnologias de contracepção hormonal (implante, adesivo) foram desenvolvidas lá nos anos 1960 e 1970. Há mais de meio século, o consumo desse medicamento “como água” garante o lucro da indústria.

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Mas será que a pílula é mesmo tão superior aos outros métodos?

A infabilidade da pílula, na verdade, é uma ilusão: todo método contraceptivo tem um índice de falha. E o da pílula não é nem o menor: seu índice de segurança (91%) é intermediário entre o diafragma (88%) e o DIU (99%). Além disso, o mais usual e recomendado é a combinação de 2 ou mais métodos para multiplicar a eficácia contraceptiva, assim como a sensação de proteção. Afinal, se a gente confiasse tanto assim na pílula anticoncepcional, não tomaria pílula do dia seguinte nem faria teste de gravidez com tanta frequência. Segundo um estudo da USP, a maior parte dos jovens recorre à contracepção de emergência por insegurança. Que método ideal é esse, que nos deixa tão inseguras?

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Veja uma tabela com uma conta simples de probabilidade, com a pílula e alguns métodos contraceptivos não hormonais. Os valores variam pouco entre alguns métodos isolados e combinações. Somente o DIU, que depende de um procedimento cirúrgico para implantar, tem sozinho taxa de eficácia de 99%.

 

tabela

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Atenção 1: Fertilidade consciente não é tabelinha, é um conjunto de métodos também conhecidos como sintotérmicos, baseados na identificação da fertilidade por sintomas como temperatura basal, muco e textura da cérvice (Fertility Awareness Methods – FAM).
Atenção 2: Coito interrompido é um método considerado inseguro especialmente se utilizado sozinho – mas não falar dele é ignorar a realidade.
Atenção 3: Só a camisinha protege contra as DST. Escolher não usar camisinha é um comportamento de risco.

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Por outro lado, o uso da pílula já como prevenção da gravidez acaba por estimular o abandono do preservativo entre os jovens. Isso porque enxergamos a proteção em dois níveis: primeiro contra gravidez, depois contra DST. Assim, uma vez que a mulher toma o anticoncepcional e a relação é considerada “de confiança”, assume-se que a camisinha pode ser abandonada – e sem ela entram todos os riscos do sexo inseguro.

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Outra diferença da pílula para alguns desses métodos não hormonais – como os 2 tipos de camisinha, o coito interrompido e a fertilidade consciente – é que eles exigem a participação do parceiro na contracepção. Isso incide diretamente sobre o modo com que vivemos nossas relações. É muito comum a recusa do homem em usar camisinha, pelas mais variadas desculpas, mas que colocam em risco a saúde especialmente da mulher. Alegando não sentir prazer, acusando a parceira de não confiar nele, ou dizendo simplesmente que “não serve”, muitos homens rejeitam as várias opções de preservativo e colocam toda a responsabilidade – e o risco – na mulher. Isso sem falar de todos os efeitos colaterais da contracepção hormonal, que tratarei mais para frente.

 

Mas, se a pílula não é o melhor contraceptivo, porque esse consumo obsessivo?

Essa pergunta eu deixo para responder na segunda parte desse post, já que esta ficou enorme. Por enquanto, ficam algumas indicações de leitura.

Continue lendo.

Referências

1 A experiência com contraceptivos no Brasil: uma questão de geração. UFSC, 2012 2 Pesquisa Nacional de Saúde da Criança e da Mulher. Ministério da Saúde, 2006How the Pill Became a Lifestyle Drug. American Journal of Public Health, 2015 4 Bedsider 5 Estudo aponta que uso da pílula do dia seguinte é alto entre jovens. D24am, 2013 6 Uso de contracepção de emergência e camisinha entre adolescentes e jovens. Revista SOGIA-BR, 2005 7 Sweetening The Pill, 2013 8 The Pill: Are you sure it’s for you?

Body literacy: quem conhece o corpo da mulher?

Com tantas consultas, exames e intervenções ginecológicas, o corpo continua sendo um mistério para nós mesmas. E a Medicina tem tudo a ver com isso.

Desde muito cedo, somos convocadas a ver um ginecologista para cuidar de nossas lady parts. O pacote de procedimentos de rotina é extenso, gerando responsabilidades e custos. A impressão é que estamos “sob controle”. Entretanto, a qualquer atraso menstrual, inchaço estranho ou corrimento desconhecido, bate o desespero. Será que todo o tempo e disposição que dedicamos aos consultórios ginecológicos realmente nos fazem sentir mais seguras sobre nossa saúde? Minha aposta: não.

Explico: você sabia que ovula apenas um dia por ciclo, e portanto, são apenas cerca de três dias em que pode  realmente engravidar?

Que as variações hormonais ao longo do ciclo podem te deixar mais aberta a novas experiências, mais criativa, ou mais introspectiva?

Ou que, quando toma anticoncepcional, você não tem período fértil?

Ou que o clitóris é muito mais que um pontinho, com ramificações em volta da vagina e na direção das coxas?

Pois é, amigas.

Com tantas consultas, exames e medicamentos, a gente ainda não conhece o nosso corpo

E permanece a sensação de que precisamos manter esse monstrinho bem controlado. E dá-lhe pílula, exame de toque, papanicolau, mamografia. Qualquer mal-estar, “é gravidez!”; desconforto com os médicos, “é frescura!”; não querer a pílula, “é loucura!”; e, vai ficar nervosa? “É TPM!”.

A ideia de descontrole do corpo feminino – e o consenso social sobre isso – tem origem milenar

Desde os primórdios da medicina ocidental, na Grécia Antiga, Hipócrates teorizou sobre o “útero errante*” – órgão que ficaria perambulando pelo corpo feminino e geraria intensos distúrbios.

Isso deu origem ao conceito de Histeria, uma doença de mulheres incontrolavelmente descontentes – que tinha como sintomas o desejo sexual intenso, ou a ausência dele, o “nervosismo”, “uma tendência a causar problemas”, entre vários outros. Especialmente durante o século XIX, em que as bases da Medicina moderna se consolidaram, esse era o grande diagnóstico das mulheres. Como tratamento, desde a hipnose, às curiosas massagens genitais (sério), até a histerectomia (remoção cirúrgica do útero).

“A mulher é mulher em virtude da falta de certas qualidades” – Aristóteles

Com o avançar dos anos, a Histeria deixou de ser considerada doença, mas permanaceu o approach médico digamos, histérico, ao corpo da mulher. Em seu livro Inventando o Sexo, o historiador e sexólogo Thomas Laqueur faz um recorrido pela evolução da Medicina e sua compreensão dos dois sexos, mostrando como o corpo masculino foi tomado como a regra, enquanto o feminino foi analisado em comparação – o famoso segundo sexo. Ou seja, com o corpo masculino como modelo principal, as especificidades do corpo feminino tornam-se excessos, ausências – e assim elas são compreendidas e descritas.

Emily Martin aponta, em suas pesquisas, a negatividade na descrição científica dos processos biológicos femininos. Palavras como perda, queda, falha, instabilidade e ausência são extensamente utilizadas nos livros didáticos, nos manuais médicos. O corpo da mulher é tido como inerentemente falho.

Por exemplo: a fixação pela gravidez. Temos a ideia de que todo mês o corpo se prepara para gerar um filho.  Por que tomamos essa perspectiva se, na verdade, na imensa maioria do tempo de vida de uma mulher, ela passa por todas as fases de seu ciclo sem engravidar? Ou seja, se o que absolutamente todas as mulheres saudáveis compartilham é a menstruação e as variações do ciclo, por que permanecemos enfocando a gravidez como evento principal? E compreendendo a menstruação como desperdício, falha? Nem toda mulher é mãe. Mas toda mulher saudável naturalmente menstrua.

Toda essa história cultural nos levou a compreender o corpo da mulher como inerentemente deficiente

A “ausência” mensal da gravidez (menstruação), o “distúrbio” das variações hormonais (TPM), a “falência” dos hormônios reprodutivos (menopausa), etc. Tudo isso nos leva de volta aos consultórios médicos.

Exame de toque, mamário e papanicolau; pilula anticoncepcional para todos os males – “regular” o ciclo, “controlar” a TPM, os ovários policísticos, a acne, e finalmente, a fertilidade. São incontáveis as intervenções médicas em nosso corpo.

Enquanto a OMS indica, por exemplo, o invasivo e por vezes doloroso papanicolau apenas a partir dos 25 anos, a maior parte dos médicos o realiza como rotina. E a grande gama de efeitos colaterais da pílula não é discutida na prescrição desse método contraceptivo às pacientes. O parto normal, então, é evitado fortemente, ou realizado com intervenções desnecessárias e violentas. E a terrível mamografia vem sendo muito questionada, pela possibilidade de fazer mais mal do que bem às mulheres.

Mas, nos consultórios, nada disso parece assunto nosso

Só quem já foi a médicos diferentes com os mesmos resultados de exames sabe o quanto as decisões e percepções deles interferem no prognóstico – deixando nossas vozes e vontades, muitas vezes, silenciadas. Obviamente, a Medicina é uma ciência em progresso; não quero com esses apontamentos parecer ingrata pelos cuidados médicos. O que preocupa é o distanciamento de nós mesmas com relação à nossa saúde – recorrentemente, parece que não temos escolha. Para evitar isso é que precisamos de mais leituras, mais debates, mais autoconhecimento. E de médicos mais preparados.

Nosso corpo não está em descontrole, ele tem um equilíbrio que precisamos conhecer

Aprendendo nossos ciclos, sabemos identificar melhor as alterações nele. Podemos saber quando realmente corremos o risco da gravidez. Podemos escolher o método contraceptivo mais adequado a nossas necessidades. Podemos entender melhor como a pílula e a cesariana nos afetam. Conhecendo os remédios e procedimentos, podemos decidir mais conscientemente sobre os tratamentos, interagir de maneira mais saudável com os profissionais de saúde, e viver melhor com nosso corpo.

Para saber mais:

Laura Wershler, Body Literacy

Fique Amiga Dela, Histórias do Corpo: Ciclos e Ritmos

Holly Grigg-Spall, Sweetening the Pill.

Clitóris: O Prazer Proibido (VÍDEO)

Emily Martin, A Mulher no Corpo.

Thomas Laqueur, Making Sex.

Histeria (FILME)

Fox News, Mammograms do not reduce breast cancer deaths, study finds

Simone de Beauvoir, O Segundo Sexo.

*Tradução livre para wandering womb.

Os nus de Émilie Charmy

Conheci o trabalho de Émilie Charmy em um curso muito interessante sobre arte e gênero, que estou fazendo lá no Instituto de Estudos Brasileiros da USP. Ministrado pela professora Ana Paula Simioni,  a aula traz uma abordagem crítica da história da arte, a partir da discussão proposta por autoras feministas. Mais do que um projeto de retomar mulheres artistas, a ideia é propor um novo olhar para as instituições que envolvem a arte, buscando entender os lugares nela ocupados por mulheres e homens.

Émilie Charmy foi uma pintora francesa que viveu de 1878 a 1974, tendo uma forte aproximação com o movimento fauvista do início do século XX. Nesse momento, certos temas – como o nu feminino e a prostituição – começavam a ser mais factíveis para a arte produzida por mulheres que, mesmo  na vanguarda, enfrentavam o peso das expectativas sociais do gênero em sua produção. Embora a militância artística ainda fosse uma escolha ousada para elas, são perceptíveis as marcas diferenciais da experiência do gênero na obra de umas e outros.

O que me encantou na obra de Émilie, que conheci em uma aula da professora Ana Paula,  foram os olhos e a expressão de suas personagens. Especialmente, a complexidade da relação que parecem estabelecer com seus próprios corpos. Com um erotismo presente, mas distante da exacerbação que usualmente traz o olhar voyeur masculino tão recorrente nas pinturas do período, Émilie Charmy apresenta uma delicadeza viva, inteira, exuberante. E, ao mesmo tempo, autorreferenciada. A sugestão das formas, mais que a precisão do desenho, contribui para a noção subjetiva do corpo, mais próxima das personagens retratadas do que de nós. Deleitem-se:

Ps: Tive bastante dificuldade em encontrar as obras, e mais ainda seus respectivos nomes e datas. Quem puder contribuir com informações, será muito bem vindx!