Solteira sim, sem job nunca

O povo anda com medo de se comprometer. Vejo amigos enrolados até o pescoço no mesmo script: um, dois dates. A partir do terceiro job, a coisa começa a ficar esquisita. Será que é ok mandar whatsapp a qualquer hora? Ou chamar para uma festa na firma? É, as coisas parecem que estão ficando sérias.

E aí entra o problema do briefing: ninguém fala exatamente o que quer. Se existe possibilidade de contratação, o budget real ou se é só uma concorrência. Honestidade é caso raro, mas alinhar a expectativa das entregas é essencial para dar match também na vida real. Porque mandar mene é facinho, mas na hora de trocar textão as pessoas ficam com medo de se entregar.

Claro que todo mundo ama shippar os cases de sucesso, aqueles com cara de festival. Babar nas carreiras sólidas, de estagiário a VP com fotinho oficial de casamento. Mas ninguém tá disposto a se envolver de verdade. Quando as horas vão ficando mais extras, os amigos vão sentindo sua falta e o coração palpita se toca o celular, a geração Tinder se apavora. E no perfil dos mais saidinhos eles ainda têm coragem de admitir: “não namoro, faço freela.”

Créditos da imagem: Coisas com sentimentos

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O que acontece quando você é feminista na internet

Na semana passada, um dos maiores blogs feministas do Brasil, o Escreva Lola Escreva, foi atacado por grupos masculinistas (sério, eles existem) e quase saiu do ar. E depois de uma conversa com outra blogueira maravilinda, resolvi compartilhar um pouco do que acontece quando você resolve ser feminista na rede, a partir da minha experiência com este blog e a página Falou Machão.

 

  1. Haters gonna hate

O termo hater (algo como “odiador”) é tão preciso como assustador. Da mesma forma que grupos ativistas de direitos humanos estão na internet, também estão aqueles que acham que feminismo é mimimi. Pior que isso, estão os citados masculinistas, grupos ativamente contra os direitos das mulheres. Além de compartilharem conteúdo defendendo estupros, pedofilia e todo tipo de violência, eles também se organizam para derrubar blogs e páginas que começam a se destacar. Eles fazem comentários odiosos, costumam usar termos como “meter a real” e criam muito – mas muito – conteúdo fake pra deslegitimar o movimento. Tem uma página do Facebook que eu sinceramente acho que se enquadra nesse naipe, a Feminismo real. Vejam e me digam o que acham, eu sinceramente duvido que haja um grupo feminista por trás dela, porque todos os argumentos são distorcidos e chegam a conclusões bizarras, além de não ter nenhuma referência a um lugar ou pessoas reais. Parece algo feito para reforçar estereótipos, preconceito e ódio. Então lidar com esse tipo de coisa pode se tornar diário. Aqui no blog eu só não aceito comentários de ódio, pronto; mas em casos como o da Lola, o assédio se torna caso de polícia (ameaças de morte, ligações na casa dela, vazamento de dados etc).

 

  1. Seus amigos ficam meio assim

Rola uma rotulagem complicada no seu círculo social. As pessoas ficam receosas de falar algo e você taxá-las de machista; algumas mandam indiretas toscas e várias delas querem te provar que você está exagerando. É o lance do “toda ação tem uma reação”, e no geral as pessoas se esforçam muito por acreditar que tudo no mundo anda bem. O lado positivo é que está aberto o debate e na verdade essas pessoas se interessaram pelo que você levantou; estão só esperando o que você tem a dizer. E se for pura picuinha, aos poucos você aprende o que vale a pena uma discussão e o que não vale. Mas ver alguns velhos amigos começando a abrir os olhos, por outro lado, é maravilhoso.

 

  1. Seus argumentos ficam melhores

Já que você tem que lidar com as críticas no mundo virtual e também no mundo real, você acaba ganhando mais habilidade nisso. Aos poucos, vai vendo que algumas críticas têm razão e contribuem para o que você cria. E vai entendendo melhor também o outro lado, entendendo como cada argumento se constrói e o melhor – como desconstruí-lo com muito mais facilidade, expondo os discursos de ódio em três, dois, um.

 

  1. Você ganha responsabilidades

Junto com os críticos, também aparecem as pessoas que curtem o que você escreve, acompanham suas criações e esperam sempre mais. São pessoas maravilhosas, que te ajudam a crescer e ser uma pessoa melhor. E elas estarão lá esperando – sua opinião, sua contribuição com o debate – e muitas vezes sua ajuda real. É muito comum mulheres em situação de violência ou precisando de qualquer outro apoio só encontrarem na internet alguém para compartilhar o que estão passando. Então, saber como lidar e como ajudar de verdade também é uma questão importante; nós acompanhamos histórias reais de pessoas reais com problemas reais. Para ajudar, só os contatinhos: órgãos governamentais e não governamentais de defesa dos direitos das mulheres, grupos de acolhida e militantes, advogadas, médicas, políticas feministas; além dos conhecimentos básicos sobre legislação – como o das maravilhosas Promotoras Legais Populares, podem ajudar. E aí você vai descobrindo uma maravilhosa rede de apoio. <3

 

  1. Você fica mais forte

A melhor parte de ser feminista na rede é que você descobre que não está sozinha nem louca. Você se informa melhor, encontra pessoas incríveis que te ajudam a crescer e a ser mais forte. Você descobre que falar sobre Feminismo é preciso para decidirmos o que fazer a respeito do machismo, seja coletivamente ou logo aí onde você está agora.

 

 

Leia também:

 

Escreva Lola Escreva, Eles não amam as mulheres, Violência não é sobre amor: dissecando a carta do assassino de Campinas.